segunda-feira, 1 de abril de 2013

São Carlo Borromeo e a Arquitetura Religiosa


Caros leitores, após 2 anos sem postagens, estou de volta e feliz por ver que já tivemos mais de 20 mil acessos. Para recomeçar eu gostaria de falar de um grande santo chamado Carlo Borromeo e sua enorme contribuição para a Arquitetura Religiosa.
Borromeo foi cardeal e arcebispo de Milão e participou ativamente no Concílio de Trento. Ao retornar para Milão escreveu um documento intitulado Instructiones Fabricae Et Supellectilis Ecclesiasticae. Foi feito inicialmente para a sua arquidiocese e objetivava oferecer um conjunto de diretrizes para orientar a construção de igrejas conforme os preceitos tridentinos. Contudo, este ganhou repercussão em todo o mundo ocidental, sendo reeditado várias vezes desde 1577 até 1952.
Ele apresenta o documento em trinta e três capítulos. Os trinta primeiros, com foco no projeto das igrejas, e incluem também informações sobre catedrais. Estes capítulos abordam: a implantação da igreja, o tamanho e as características do terreno, o desenho da fachada, das portas, das janelas, a organização do interior, o batistério, o campanário, a sacristia, o mobiliário e a decoração. Os três últimos capítulos tratam dos projetos de oratórios e igrejas em conventos e mosteiros.
Tais instruções passaram a estar contidas nos livros e documentos tridentinos associados ao rito católico. No Brasil, elas serviram como uma das referências para a elaboração das Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, publicado em 1707.
            Segundo Blunt (2001, p.168), São Carlo Borromeo “é o único autor a aplicar o decreto tridentino à arquitetura”. Estas Instruções, traduzindo o espírito do Concílio de Trento, tiveram grande importância ao criar certa “padronização” na construção de igrejas em todo o mundo católico.

A seguir transcrevo alguns trechos deste documento:

“...É particularmente importante que a localização da igreja, onde quer que seja construída, seja no alto. Se a topografia é tal que não existe uma parte mais elevada, então a igreja deve ser construída sobre uma base, de modo que sejam levantados sobre a planície e o piso seja alcançado por meio de três ou cinco degraus. [...] Que ela se afaste de lugares úmidos, de todos os tipos de sujeira, estábulos, baias de ovinos, tabernas, forjas, lojas e mercados de todos os tipos...”

“...É bom que alguma instrução deva ser dada aqui sobre o assunto do tabernáculo, pois um decreto provincial tornou obrigatória a colocação do mesmo no altar-mor. Nas mais importantes igrejas, sempre que possível, deve ser feito de prata ou bronze, deve ser dourado ou de mármore precioso [...] Além disso, o tabernáculo, definido no altar, terá uma base estável decorada, devidamente executado, com estátuas de anjos ou outro suporte decorado com ornamentos religiosos, será fixado firmemente no lugar sólido. Além disso, será equipado com uma chave...”

“...O coro, como é óbvio a partir de edifícios antigos, e os regulamentos de disciplina da igreja, deve ser separado da parte da igreja onde as pessoas permanecem e cercado por grades. [...] Ele deve, como o arquiteto entender, ser largo e comprido, se o espaço permitir, na forma de um semicírculo ou outra forma, de acordo com o plano da capela ou da igreja, correspondendo assim perfeitamente, inclusive no seu tamanho e ornamentação, à dignidade solene da igreja e o número do clero...”

“...Primeiro de tudo o confessionário será feito inteiramente de painéis de madeira trabalhada. Estes serão colocados em ambos os lados, nas costas e vai cobrir a parte superior, enquanto ele será totalmente aberto na parte da frente, e não deve ser fechada de forma alguma. Todavia, pode ter, sobretudo nas igrejas mais freqüentadas, uma porta de treliça ou um portão de madeira [...] Um pequeno braço de madeira será fixado na parte interna do painel entre o confessor e penitente, em que o confessor poderá descansar o braço. Será como uma barra transversal, de modo que possa ser abaixado e levantado, conforme desejado.[...] Uma pequena placa ligeiramente inclinada será definida na extremidade superior. Sobre isso, o penitente pode confiar suas mãos juntas durante a confissão de joelhos...”

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito interessante o tema estudado, Professor Rogério, gostaria de saber mais sobre a sua dissertação: estaria ela disponível em algum banco de teses e dissertações?
Sou arquiteto e pesquisador, me interessaria muito conhecer melhor o seu trabalho.
Grato pela atenção!
Alexandre Luiz Rocha
a.l.rocha@uol.com.br