O Ambão
309. A dignidade da palavra de Deus requer na igreja um lugar condigno de onde possa ser anunciada e para onde se volte espontaneamente a atenção dos fiéis no momento da liturgia da Palavra[1].
De modo geral, convém que esse lugar seja uma estrutura estável e não uma simples estante móvel. O ambão seja disposto de tal modo em relação à forma da igreja que os ministros ordenados e os leitores possam ser vistos e ouvidos facilmente pelos fiéis.
Do ambão são proferidas somente as leituras, o salmo responsorial e o precônio pascal; também se podem proferir a homilia e as intenções da oração universal ou oração dos fiéis. A dignidade do ambão exige que a ele suba somente o ministro da palavra.
Convém que o novo ambão seja abençoado antes de ser destinado ao uso litúrgico conforme o rito proposto no Ritual Romano[2].
A cadeira para o sacerdote celebrante e outras cadeiras
310. A cadeira do sacerdote celebrante deve manifestar a sua função deste de presidir a assembléia e dirigir a oração. Por isso, o lugar mais apropriado para esta cadeira é de frente para o povo no fundo do presbitério, a não ser que a estrutura do edifício sagrado ou outras circunstâncias o impeçam, por exemplo, se a demasiada distância torna difícil a comunicação entre o sacerdote e a assembléia, ou se o tabernáculo ocupar o centro do presbitério atrás do altar. Evite-se toda espécie de trono[3]. Antes de ser destinada ao uso litúrgico, convém que se faça a bênção da cadeira da presidência segundo o rito descrito no Ritual Romano[4].
Disponham-se também no presbitério cadeiras para os sacerdotes concelebrantes, bem como para presbíteros que, revestidos de veste coral, participem da concelebração, sem que concelebrem.
A cadeira para o diácono esteja junto da cadeira do celebrante. Para os demais ministros, as cadeiras sejam dispostas de modo que se distingam claramente das cadeiras do clero e eles possam exercer com facilidade a função que lhes for confiada[5].
[1] Cf. S. Congr. dos Ritos, Instr. Inter Oecumenici, de 26 de setembro de 1964, n. 96: A.A.S. 56 (1964) p. 899.
[2] Cf. Ritual Romano, Ritual de Bênçãos, ed. típica 1984, Bênção de Novo Ambão, n. 900-918.
[3] Cf. S. Congr. dos Ritos, Instr. Inter Oecumenici, de 26 de setembro de 1964, n. 92: A.A.S. 56 (1964) p. 898.
[4] Cf. Ritual Romano, Ritual de Bênçãos, ed. típica 1984, Bênção de Cadeira de Presidência, n. 880-899.
[5] Cf. S. Congr. dos Ritos, Instr. Inter Oecumenici, de 26 de setembro de 1964, n. 92: A.A.S. 56 (1964) p. 898.
................................... Continua...
quarta-feira, 18 de junho de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
O Espaço Litúrgico no Missal Romano (cont.)
II. DISPOSIÇÃO DO PRESBITÉRIO PARA A ASSEMBLÉIA SAGRADA
295. O presbitério é o lugar, onde se encontra localizado o altar, é proclamada a palavra de Deus, e o sacerdote, o diácono e os demais ministros exercem o seu ministério. Convém que se distinga do todo da igreja por alguma elevação, ou por especial estrutura e ornato. Seja bastante amplo para que a celebração da Eucaristia se desenrole comodamente e possa ser vista por todos.
O altar e sua ornamentação
296. O altar, onde se torna presente o sacrifício da cruz sob os sinais sacramentais, é também a mesa do Senhor na qual o povo de Deus é convidado a participar por meio da Missa; é ainda o centro da ação de graças que se realiza pela Eucaristia.
297. A celebração da Eucaristia, em lugar destinado ao culto, deve ser feita num altar; fora do lugar sagrado, pode se realizar sobre uma mesa apropriada, sempre, porém, com toalha e corporal, cruz e castiçais.
298. Convém que em toda igreja exista um altar fixo, que significa de modo mais claro e permanente Jesus Cristo, Pedra vida (1Pd 2,4; cf. Ef 2, 20); nos demais lugares dedicados às sagradas celebrações, o altar pode ser móvel. Chama-se altar fixo quando é construído de tal forma que esteja unido ao pavimento, e não possa ser removido; móvel, quando pode ser removido.
299. O altar seja construído afastado da parede, a fim de ser facilmente circundado e nele se possa celebrar de frente para o povo, o que convém fazer em toda parte onde for possível. O altar ocupe um lugar que seja de fato o centro para onde espontaneamente se
volte a atenção de toda a assembléia dos fiéis116. Normalmente seja fixo e dedicado.
300. Tanto o altar fixo como o móvel seja dedicado conforme o rito apresentado no Pontifical Romano; contudo, o altar móvel pode também ser apenas abençoado.
301. Segundo tradicional e significativo costume da Igreja, a mesa do altar fixo seja de pedra, e mesmo de pedra natural. Contudo, pode-se também usar outro material digno, sólido e esmeradamente trabalhado, a juízo da Conferência dos Bispos. Os pés ou a base de sustentação da mesa, podem ser feitos de qualquer material, contanto que digno e sólido. O altar móvel pode ser construído de qualquer material nobre e sólido, condizente com o uso litúrgico e de acordo com as tradições e costumes das diversas regiões.
302. Se for oportuno, mantenha-se o uso de depositar sob o altar a ser dedicado relíquias de Santos, ainda que não sejam mártires. Cuide-se, porém, de verificar a autenticidade de tais relíquias.
303. Nas novas igrejas a serem construídas, convém erigir um só altar, que na assembléia dos fiéis signifique um só Cristo e uma só Eucaristia da Igreja. Contudo, nas igrejas já construídas, quando o altar antigo estiver colocado de tal maneira que torne difícil a participação do povo, nem puder ser transferido sem detrimento de seu valor artístico, construa-se outro altar fixo com valor artístico e a ser devidamente dedicado; e somente nele se realizem as sagradas celebrações. Para não distrair a atenção dos fiéis, do novo altar, o altar antigo não seja ornado de modo especial.
304. Em reverência para com a celebração do memorial do Senhor e o banquete em que se comungam o seu Corpo e Sangue, ponha-se sobre o altar onde se celebra ao menos uma toalha de cor branca, que combine, por seu formato, tamanho e decoração, com a forma do mesmo altar.
305. Na ornamentação do altar observe-se moderação. No Tempo do Advento se ornamente o altar com flores com moderação tal que convenha à índole desse tempo, sem contudo, antecipar aquela plena alegria do Natal do Senhor. No Tempo da Quaresma é proibido ornamentar com flores o altar. Excetuam-se, porém, o domingo "Laetare" (IV na Quaresma), solenidades e festas. A ornamentação com flores seja sempre moderada e, ao invés de se dispor o ornamento sobre o altar, de preferência seja colocado junto a ele.
306. Sobre a mesa do altar podem ser colocadas somente aquelas coisas que se requerem para a celebração da Missa, ou seja: o Evangeliário, do início da celebração até a proclamação do Evangelho; desde a apresentação das oferendas até a purificação dos vasos sagrados, o cálice com a patena, o cibório, se necessário, e, finalmente, o corporal, o purificatório, a pala e o missal.
Além disso, se disponham de modo discreto os aparelhos que possam ajudar a amplificar a voz do sacerdote.
307. Os castiçais requeridos pelas ações litúrgicas para manifestarem a reverência e o caráter festivo da celebração (cf. n. 117), sejam colocados, como parecer melhor, sobre o altar ou junto dele, levando em conta as proporções do altar e do presbitério, de modo a
formarem um conjunto harmonioso e que não impeça os fiéis de verem aquilo que se realiza ou se coloca sobre o altar.
308. Haja também sobre o altar ou perto dele uma cruz com a imagem do Cristo crucificado que seja bem visível para o povo reunido. Convém que tal cruz que serve para recordar aos fiéis a paixão salutar do Senhor, permaneça junto ao altar também fora das
celebrações litúrgicas.
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295. O presbitério é o lugar, onde se encontra localizado o altar, é proclamada a palavra de Deus, e o sacerdote, o diácono e os demais ministros exercem o seu ministério. Convém que se distinga do todo da igreja por alguma elevação, ou por especial estrutura e ornato. Seja bastante amplo para que a celebração da Eucaristia se desenrole comodamente e possa ser vista por todos.
O altar e sua ornamentação
296. O altar, onde se torna presente o sacrifício da cruz sob os sinais sacramentais, é também a mesa do Senhor na qual o povo de Deus é convidado a participar por meio da Missa; é ainda o centro da ação de graças que se realiza pela Eucaristia.
297. A celebração da Eucaristia, em lugar destinado ao culto, deve ser feita num altar; fora do lugar sagrado, pode se realizar sobre uma mesa apropriada, sempre, porém, com toalha e corporal, cruz e castiçais.
298. Convém que em toda igreja exista um altar fixo, que significa de modo mais claro e permanente Jesus Cristo, Pedra vida (1Pd 2,4; cf. Ef 2, 20); nos demais lugares dedicados às sagradas celebrações, o altar pode ser móvel. Chama-se altar fixo quando é construído de tal forma que esteja unido ao pavimento, e não possa ser removido; móvel, quando pode ser removido.
299. O altar seja construído afastado da parede, a fim de ser facilmente circundado e nele se possa celebrar de frente para o povo, o que convém fazer em toda parte onde for possível. O altar ocupe um lugar que seja de fato o centro para onde espontaneamente se
volte a atenção de toda a assembléia dos fiéis116. Normalmente seja fixo e dedicado.
300. Tanto o altar fixo como o móvel seja dedicado conforme o rito apresentado no Pontifical Romano; contudo, o altar móvel pode também ser apenas abençoado.
301. Segundo tradicional e significativo costume da Igreja, a mesa do altar fixo seja de pedra, e mesmo de pedra natural. Contudo, pode-se também usar outro material digno, sólido e esmeradamente trabalhado, a juízo da Conferência dos Bispos. Os pés ou a base de sustentação da mesa, podem ser feitos de qualquer material, contanto que digno e sólido. O altar móvel pode ser construído de qualquer material nobre e sólido, condizente com o uso litúrgico e de acordo com as tradições e costumes das diversas regiões.
302. Se for oportuno, mantenha-se o uso de depositar sob o altar a ser dedicado relíquias de Santos, ainda que não sejam mártires. Cuide-se, porém, de verificar a autenticidade de tais relíquias.
303. Nas novas igrejas a serem construídas, convém erigir um só altar, que na assembléia dos fiéis signifique um só Cristo e uma só Eucaristia da Igreja. Contudo, nas igrejas já construídas, quando o altar antigo estiver colocado de tal maneira que torne difícil a participação do povo, nem puder ser transferido sem detrimento de seu valor artístico, construa-se outro altar fixo com valor artístico e a ser devidamente dedicado; e somente nele se realizem as sagradas celebrações. Para não distrair a atenção dos fiéis, do novo altar, o altar antigo não seja ornado de modo especial.
304. Em reverência para com a celebração do memorial do Senhor e o banquete em que se comungam o seu Corpo e Sangue, ponha-se sobre o altar onde se celebra ao menos uma toalha de cor branca, que combine, por seu formato, tamanho e decoração, com a forma do mesmo altar.
305. Na ornamentação do altar observe-se moderação. No Tempo do Advento se ornamente o altar com flores com moderação tal que convenha à índole desse tempo, sem contudo, antecipar aquela plena alegria do Natal do Senhor. No Tempo da Quaresma é proibido ornamentar com flores o altar. Excetuam-se, porém, o domingo "Laetare" (IV na Quaresma), solenidades e festas. A ornamentação com flores seja sempre moderada e, ao invés de se dispor o ornamento sobre o altar, de preferência seja colocado junto a ele.
306. Sobre a mesa do altar podem ser colocadas somente aquelas coisas que se requerem para a celebração da Missa, ou seja: o Evangeliário, do início da celebração até a proclamação do Evangelho; desde a apresentação das oferendas até a purificação dos vasos sagrados, o cálice com a patena, o cibório, se necessário, e, finalmente, o corporal, o purificatório, a pala e o missal.
Além disso, se disponham de modo discreto os aparelhos que possam ajudar a amplificar a voz do sacerdote.
307. Os castiçais requeridos pelas ações litúrgicas para manifestarem a reverência e o caráter festivo da celebração (cf. n. 117), sejam colocados, como parecer melhor, sobre o altar ou junto dele, levando em conta as proporções do altar e do presbitério, de modo a
formarem um conjunto harmonioso e que não impeça os fiéis de verem aquilo que se realiza ou se coloca sobre o altar.
308. Haja também sobre o altar ou perto dele uma cruz com a imagem do Cristo crucificado que seja bem visível para o povo reunido. Convém que tal cruz que serve para recordar aos fiéis a paixão salutar do Senhor, permaneça junto ao altar também fora das
celebrações litúrgicas.
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segunda-feira, 7 de abril de 2008
O Espaço Litúrgico no Missal Romano
Após um longo tempo sem postagens, estamos retomando nossas atividades com o estudo do Espaço Litúrgico a começar dos documentos oficiais da igreja, neste caso o Missal Romano. Nele encontramos informações valiosas sobre o espaço, mas infelizmente ele não costuma ser lido pelos fiéis. Para tanto vamos reproduzir aqui o capítulo V, que está diretamente voltado ao nosso tema. Espero que gostem. Paz e Bem!
INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO
CAPÍTULO V
DISPOSIÇÃO E ORNAMENTAÇÃO DAS IGREJAS PARA A CELEBRAÇÃO DA EUCARISTIA
I. PRINCÍPIOS GERAIS
288. Para celebrar a Eucaristia o povo de Deus se reúne geralmente na igreja, ou na falta
ou insuficiência desta, em outro lugar conveniente, digno de tão grande mistério. As igrejas
e os demais lugares devem prestar-se à execução das ações sagradas e à ativa participação
dos féis. Além disso, os edifícios sagrados e os objetos destinados ao culto sejam realmente
dignos e belos, sinais e símbolos das coisas divinas.
289. Por isso, a Igreja não cessa de solicitar a nobre contribuição das artes e admite as
expressões artísticas de todos os povos e regiões. Ainda mais, assim como se esforça por
conservar as obras e tesouros artísticos legados pelos séculos precedentes110 e, na medida
do necessário, adaptá-las às novas necessidades, também procura promover formas novas
que se adaptem à índole de cada época.
Portanto, nos programas propostos aos artistas, bem como na seleção de obras a
serem admitidas na igreja, procure-se uma verdadeira qualidade artística, para que
alimentem a fé e a piedade e correspondam ao seu verdadeiro significado e ao fim a que se
destinam
290. Todas as igrejas sejam dedicadas ou ao menos abençoadas. Contudo, as igrejas
catedrais e paroquiais sejam solenemente dedicadas.
291. Para edificar, reformar e dispor convenientemente os edifícios sagrados, consultem
os responsáveis a Comissão diocesana de Liturgia e Arte Sacra. O Bispo diocesano recorra
também ao parecer e auxílio da mesma Comissão, quando se tratar de estabelecer normas
nesta matéria, de aprovar projetos de novos edifícios sagrados ou resolver questões de certa
importância.
292. A ornamentação da igreja deve visar mais a nobre simplicidade do que a pompa. Na
escolha dessa ornamentação, cuide-se da autenticidade dos materiais e procure-se
assegurar a educação dos fiéis e a dignidade de todo o local sagrado.
293. Para corresponder às necessidade de nossa época, a organização da igreja e de suas
dependências requer que não se tenha em vista apenas o que se refere às ações sagradas,
mas também tudo o que contribua para uma justa comodidade dos fiéis, como se costuma
providenciar nos lugares onde se realizam reuniões.
294. O povo de Deus, que se reúne para a Missa, constitui uma assembléia orgânica e
hierárquica que se exprime pela diversidade de funções e ações, conforme cada parte da
celebração. Por isso, convém que a disposição geral do edifício sagrado seja tal que ofereça
uma imagem da assembléia reunida, permita uma conveniente disposição de todas as coisas
e favoreça a cada um exercer corretamente a sua função.
Os fiéis e o grupo dos cantores ocuparão lugares que lhes favoreçam uma
participação ativa.
O sacerdote celebrante, o diácono e demais ministros tomarão lugar no presbitério.
Aí se prepararão as cadeiras dos concelebrantes; se, porém, seu número for grande, as
cadeiras serão dispostas em outro lugar da igreja, mas próximo do altar.
Tudo isso, além de exprimir a ordenação hierárquica e a diversidade das funções,
deve constituir uma unidade íntima e coerente pela qual se manifeste com evidência a
unidade de todo o povo de Deus. A natureza e beleza do local e de todas as alfaias
alimentem a piedade dos fiéis e manifestem a santidade dos mistérios celebrados.
.................................... continua...
INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO
CAPÍTULO V
DISPOSIÇÃO E ORNAMENTAÇÃO DAS IGREJAS PARA A CELEBRAÇÃO DA EUCARISTIA
I. PRINCÍPIOS GERAIS
288. Para celebrar a Eucaristia o povo de Deus se reúne geralmente na igreja, ou na falta
ou insuficiência desta, em outro lugar conveniente, digno de tão grande mistério. As igrejas
e os demais lugares devem prestar-se à execução das ações sagradas e à ativa participação
dos féis. Além disso, os edifícios sagrados e os objetos destinados ao culto sejam realmente
dignos e belos, sinais e símbolos das coisas divinas.
289. Por isso, a Igreja não cessa de solicitar a nobre contribuição das artes e admite as
expressões artísticas de todos os povos e regiões. Ainda mais, assim como se esforça por
conservar as obras e tesouros artísticos legados pelos séculos precedentes110 e, na medida
do necessário, adaptá-las às novas necessidades, também procura promover formas novas
que se adaptem à índole de cada época.
Portanto, nos programas propostos aos artistas, bem como na seleção de obras a
serem admitidas na igreja, procure-se uma verdadeira qualidade artística, para que
alimentem a fé e a piedade e correspondam ao seu verdadeiro significado e ao fim a que se
destinam
290. Todas as igrejas sejam dedicadas ou ao menos abençoadas. Contudo, as igrejas
catedrais e paroquiais sejam solenemente dedicadas.
291. Para edificar, reformar e dispor convenientemente os edifícios sagrados, consultem
os responsáveis a Comissão diocesana de Liturgia e Arte Sacra. O Bispo diocesano recorra
também ao parecer e auxílio da mesma Comissão, quando se tratar de estabelecer normas
nesta matéria, de aprovar projetos de novos edifícios sagrados ou resolver questões de certa
importância.
292. A ornamentação da igreja deve visar mais a nobre simplicidade do que a pompa. Na
escolha dessa ornamentação, cuide-se da autenticidade dos materiais e procure-se
assegurar a educação dos fiéis e a dignidade de todo o local sagrado.
293. Para corresponder às necessidade de nossa época, a organização da igreja e de suas
dependências requer que não se tenha em vista apenas o que se refere às ações sagradas,
mas também tudo o que contribua para uma justa comodidade dos fiéis, como se costuma
providenciar nos lugares onde se realizam reuniões.
294. O povo de Deus, que se reúne para a Missa, constitui uma assembléia orgânica e
hierárquica que se exprime pela diversidade de funções e ações, conforme cada parte da
celebração. Por isso, convém que a disposição geral do edifício sagrado seja tal que ofereça
uma imagem da assembléia reunida, permita uma conveniente disposição de todas as coisas
e favoreça a cada um exercer corretamente a sua função.
Os fiéis e o grupo dos cantores ocuparão lugares que lhes favoreçam uma
participação ativa.
O sacerdote celebrante, o diácono e demais ministros tomarão lugar no presbitério.
Aí se prepararão as cadeiras dos concelebrantes; se, porém, seu número for grande, as
cadeiras serão dispostas em outro lugar da igreja, mas próximo do altar.
Tudo isso, além de exprimir a ordenação hierárquica e a diversidade das funções,
deve constituir uma unidade íntima e coerente pela qual se manifeste com evidência a
unidade de todo o povo de Deus. A natureza e beleza do local e de todas as alfaias
alimentem a piedade dos fiéis e manifestem a santidade dos mistérios celebrados.
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
domingo, 11 de novembro de 2007
1ª Semana Maranhense de Liturgia
Convidamos todos a participar da 1ª Semana Maranhense de Liturgia, que se realizará de 4 a 8 de dezembro de 2007 na cidade de São Luís do Maranhão e contará com a participação do Pe. Luís Eduardo Baronto e da Ir. Laíde Sonda, que abordarão os temas Liturgia e Espaço Litúrgico.
Participe!
Data e horários:
de 4 a 8 de dezembro de 2007 das 8 às 21hs
Local:
Casa de Encontros - Oásis (São Luís - MA)
Valor:
R$ 150,00 (incluindo hospedagem e refeições)
Local de inscrição:
Arquidiocese de São Luís: Praça Pedro II, Centro, São Luís - MA
Igreja do Carmo: Praça João Lisboa 360, Centro, São Luís - MA
Casa de Encontros - Oásis
(Para pessoas de outras cidades as incrições poderão ser feitas no dia do encontro, entretanto é importante reservar sua vaga por telefone ou enviando seus dados por e-mail)
Maiores informações:
fone: 98-3245-6779 (Casa de Encontros - Oásis)
e-mail: rlimaarq@gmail.com
Participe!
Data e horários:
de 4 a 8 de dezembro de 2007 das 8 às 21hs
Local:
Casa de Encontros - Oásis (São Luís - MA)
Valor:
R$ 150,00 (incluindo hospedagem e refeições)
Local de inscrição:
Arquidiocese de São Luís: Praça Pedro II, Centro, São Luís - MA
Igreja do Carmo: Praça João Lisboa 360, Centro, São Luís - MA
Casa de Encontros - Oásis
(Para pessoas de outras cidades as incrições poderão ser feitas no dia do encontro, entretanto é importante reservar sua vaga por telefone ou enviando seus dados por e-mail)
Maiores informações:
fone: 98-3245-6779 (Casa de Encontros - Oásis)
e-mail: rlimaarq@gmail.com
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
A ARTE SACRA E A PARTICIPAÇÃO NO PERFEITO (cont...)

(última parte)
A LITURGIA E A VOLTA AO ORIGINÁRIO
A renovação litúrgica se orienta decididamente para o essencial, e desta tensa atenção ao nuclear deriva-se o movimento da arte sacra contemporânea. O urgente é precisar onde radica o nuclear-essencial, tarefa muito menos fácil do que poderia parecer num primeiro momento. Um dos principais mentores do movimento litúrgico, Romano Guardini, se esforçou sempre em deixar claro, contra as incompreensões e extremismos que acompanharam este movimento, que a piedade litúrgica, longe de se opor à piedade chamada popular, deve alimentar-se dela. Desta convicção parte sua Via crucis e seu livro sobre o Rosário de Nossa Senhora. Mais tarde, liturgistas de menor capacidade filosófica e com horizonte humanista mais pobre do que o de Guardini mostraram certa aversão ao sentimento e à sensibilidade populares. Sob pretexto de purificação e elevação da piedade, algumas fontes de devoção indispensáveis para dar à atividade litúrgica sua plenitude de sentido, que é a entrega pessoal - não individualista, mas tampouco coletivista, mas rigorosamente comunitária - ao Senhor de todas as coisas, se exauriram.
A renovação litúrgica se orienta decididamente para o essencial, e desta tensa atenção ao nuclear deriva-se o movimento da arte sacra contemporânea. O urgente é precisar onde radica o nuclear-essencial, tarefa muito menos fácil do que poderia parecer num primeiro momento. Um dos principais mentores do movimento litúrgico, Romano Guardini, se esforçou sempre em deixar claro, contra as incompreensões e extremismos que acompanharam este movimento, que a piedade litúrgica, longe de se opor à piedade chamada popular, deve alimentar-se dela. Desta convicção parte sua Via crucis e seu livro sobre o Rosário de Nossa Senhora. Mais tarde, liturgistas de menor capacidade filosófica e com horizonte humanista mais pobre do que o de Guardini mostraram certa aversão ao sentimento e à sensibilidade populares. Sob pretexto de purificação e elevação da piedade, algumas fontes de devoção indispensáveis para dar à atividade litúrgica sua plenitude de sentido, que é a entrega pessoal - não individualista, mas tampouco coletivista, mas rigorosamente comunitária - ao Senhor de todas as coisas, se exauriram.
Para entender plenamente a arte sacra atual e conduzi-la por caminhos fecundos é conveniente ver suas características, antes resenhadas, como aspectos diferentes da busca do profundo. Assim, a moderação nos meios expressivos deve servir para uma melhor e mais profunda compreensão do essencial. A autenticidade no tratamento dos materiais é pressuposto para a penetração no poder expressivo peculiar dos mesmos. A revalorização da sensibilidade e da imagem é determinada por essa atenção a vertentes metassensíveis da realidade, tal como resplandecem nos símbolos, no rosto das realidades carregadas de sentido. Não esqueçamos que a grande tarefa do movimento litúrgico, junto com o movimento de juventude, foi voltar ao originário, às fontes naturais de expressão - a água, o fogo, os metais, a luz... Daí sua busca do irredutível, daquilo que ostenta um rosto, uma face inalterável, não redutível a elementos amorfos não qualificados.
O MISTÉRIO SE DEFINE POR SUA RIQUEZA INESGOTÁVEL
Esta volta ao natural-originário constitui a melhor preparação para renovar o sentido do mistério, que não é primordialmente algo oculto, mas algo extremamente profundo e valioso que se revela claramente, mas se revela como o que é, como uma realidade inesgotável e inacessível a toda forma de conhecimento que implique domínio. Para uma tradição racionalista, com obsessão por obter clarezas racionais exaustivas, o mistério se definiu por sua opacidade à compreensão sem limite. Hoje em dia tende-se, de preferência, a contemplar o mistério a partir da perspectiva da riqueza, do que tem de fecundante para quem entra em sua área de influência.O aprofundamento no mistério do Deus que se revela na face visível de Cristo é a estrada real que se abre ao artista que quer níveis dignos da arte verdadeiramente sacra. Assim como na vida religiosa a iniciativa compete a Deus, no processo artístico é o profundo valioso que pronuncia a primeira e a última palavras. Que estas palavras se tomem perfeitamente audíveis é trabalho da técnica atual de nudificação. Mas esta, sem a intuição inicial das realidades nucleares da fé e da vivência religiosa, se reduziria a um mero exercício de destreza técnica carente de profundidade artística.
3. A ARTE E A FUNDAÇÃO DE ÂMBITOS DE PRESENÇA
A censura que às vezes é feita á arquitetura sacra atual de corresponder a uma forma de inspiração protestante pode ser justificada se o afã de pureza significa apego ao meramente in-objetivo, e aversão total a todo o figurativo. Em suas diversas manifestações espirituais - filosofia, teologia, liturgia - os protestantes costumam mostrar certa propensão ao inobjetivo. Daí seu cultivo, eminentemente germânico, desse difuso clima acolhedor chamado "Stimmung". Os católicos se caracterizam mais por estarem sujeitos ao rigorosamente pessoal, em seu sentido mais rigoroso. A tendência a diluir o meta-objetivo em algo meramente in-objetivo é extremamente grave, porque deixa o homem numa espécie de terra de ninguém, a meio caminho entre a objetividade desprezada - mundo confiado e pegável - e a super-objetividade entrevista na forma precária da inobjetividade.
Naturalmente, frente ao fixismo do objetivismo coisista, a valorização do inobjetivo dá uma forte impressão de mobilidade e flexibilidade rejuvenescedora. Mas por trás desta impressão gozosa se experimenta uma sensação angustiante de não dar pé. Este desconcerto nos insta a notar que, se a religião é a forma mais alta de relação pessoal do homem com o Deus da revelação, o modo mais direto e eficaz de abordar a complexa problemática da arte sacra é propor seriamente o problema da presença.Em sua documentada obra sobre A arte sacra atual, Juan Plazaola sublinha que
"para uma arte rigorosarnente sacra não basta certa fascinação nem o sentimento de um valor universal; é necessário que ao mesmo tempo em que fascina, estremeça até as fibras mais intimas de nosso ser. Deve sugerir a presença desse duende misterioso que espreita todas as janelas e as duas portas - de entrada e de saída - de nossa existência".
Aqui o sagrado é colocado em relação de proximidade com a presença do "numinoso", do mistério "tremendo e fascinante". Isso nos faz lembrar com energia que as formas autênticas de presença só surgem entre seres pessoais. Que exigências implica o fenômeno da presença? Em qual nível entitativo ocorre e que qualidades humanas mobiliza? Só um estudo sério e profundo do conceito de "presença" nos dará a amplitude de perspectiva necessária para abordar com mão firme temas tão sutis, delicados e freqüentemente tergiversados como o do poder do sensível-figurativo para exprimir o metassensível, a capacidade do "vazio" de dar albergue à experiência do infinito, a vinculação do silêncio com a revelação do que transcende o mundo das coisas à mão. Trata-se, no fundo, dos problemas suscitados pelo melhor pensamento existencial.Convém não confundir a experiência religiosa autêntica com a entrega a um clima de efusividade sentimental, de diluição de limites. A religião cristã é pessoal de raiz. Enquanto não dispusermos de uma vigorosa teoria estrutural das categorias que decidem a compreensão da pessoa e sua forma de instaurar-se como tal, estaremos em constante perigo de confundir os diversos modos de sentimento que o ser humano experimenta, sobretudo o sentimento meramente vital efusivo e o sentimento espiritual que é emoção diante da presença de algo elevado que transcende o homem e, transcendendo-o, o plenifica.
"para uma arte rigorosarnente sacra não basta certa fascinação nem o sentimento de um valor universal; é necessário que ao mesmo tempo em que fascina, estremeça até as fibras mais intimas de nosso ser. Deve sugerir a presença desse duende misterioso que espreita todas as janelas e as duas portas - de entrada e de saída - de nossa existência".
Aqui o sagrado é colocado em relação de proximidade com a presença do "numinoso", do mistério "tremendo e fascinante". Isso nos faz lembrar com energia que as formas autênticas de presença só surgem entre seres pessoais. Que exigências implica o fenômeno da presença? Em qual nível entitativo ocorre e que qualidades humanas mobiliza? Só um estudo sério e profundo do conceito de "presença" nos dará a amplitude de perspectiva necessária para abordar com mão firme temas tão sutis, delicados e freqüentemente tergiversados como o do poder do sensível-figurativo para exprimir o metassensível, a capacidade do "vazio" de dar albergue à experiência do infinito, a vinculação do silêncio com a revelação do que transcende o mundo das coisas à mão. Trata-se, no fundo, dos problemas suscitados pelo melhor pensamento existencial.Convém não confundir a experiência religiosa autêntica com a entrega a um clima de efusividade sentimental, de diluição de limites. A religião cristã é pessoal de raiz. Enquanto não dispusermos de uma vigorosa teoria estrutural das categorias que decidem a compreensão da pessoa e sua forma de instaurar-se como tal, estaremos em constante perigo de confundir os diversos modos de sentimento que o ser humano experimenta, sobretudo o sentimento meramente vital efusivo e o sentimento espiritual que é emoção diante da presença de algo elevado que transcende o homem e, transcendendo-o, o plenifica.
4. QUALIDADES DO ARTISTA: DECISÃO E REVERÊNCIA
A arte sacra atual corresponde a uma renovação teológico-pastoral realizada em fecunda aliança com a melhor filosofia da época. Devemos nos aprofundar neste humus intelectual se quisermos ter critérios fecundos de ação que esclareçam a mente dos artistas na situação de encruzilhada em que nos encontramos hoje.O homem contemporâneo vive numa eufórica preocupação pelo refinado e autêntico. O estudo entre linhas do movimento cultural dos últimos anos leva a suspeitar que só um profundo estudo filosófico dos conceitos fundamentais que decidem o sentido do processo criador humano pode nos libertar do grave risco de entender o simples como elementar-pobre e a pobreza como desmantelamento.Não basta, pois, afirmar que estamos diante de uma mudança de sensibilidade, pois as mudanças espirituais não correspondem a uma espécie de fatalidade biológica, mas a motivos culturais muito complexos que o homem pode em certa medida dirigir e modular. Não é totalmente o estilo que faz o artista, nem vice-versa. Estamos perante um desses processos "circulares" que tomam tão misteriosa e fecunda a vida do espírito em seus níveis mais altos. Por respeito a este mistério devemos incrementar nossa consciência de responsabilidade na tarefa de criação cultural, que deve reunir estas duas qualidades, só na aparência opostas: decisão e reverência Decisão para criar, e reverência aos altos valores aos quais o artista verdadeiro serve definitivamente.O homem de integração, alheio por temperamento ao perigoso jogo de divisão analítica, está otimamente disposto, sem dúvida, para colaborar na grande tarefa atual de pôr ordem e sentido no processo de criação artística.
in: QUINTÁS, Alfonso López. "Estética", Petrópolis, Ed. Vozes, 1992 - pág 99 a 107.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
A ARTE SACRA E A PARTICIPAÇÃO NO PERFEITO (cont...)

(2 parte)
A BUSCA DA POESIA DO ESSENCIAL
O funcionalismo exerce uma ação purificadora benéfica não na medida em que substitui a poesia pelo cálculo, a idéia pela mera utilidade, mas enquanto prescinde do acidental-superficial para entrar asceticamente na razão última de ser das coisas que o homem faz. Esta intuição das razões últimas é a força impulsora da mais profunda e perdurável poesia.
O funcionalismo exerce uma ação purificadora benéfica não na medida em que substitui a poesia pelo cálculo, a idéia pela mera utilidade, mas enquanto prescinde do acidental-superficial para entrar asceticamente na razão última de ser das coisas que o homem faz. Esta intuição das razões últimas é a força impulsora da mais profunda e perdurável poesia.
Não é nada ilógico que a clarificação da função litúrgica ocorra paralelamente ao movimento arquitetônico em direção a uma adesão maior ao fundamental, ao que, por ser expressivo, exerce uma função de epifania do mistério. Os elementos arquitetônicos convertem-se assim em gestos, com toda a capacidade que estes possuem para fazer alusão a campos muito amplos de sentido com esforço muito leve.
Por não perceber que a função possui uma vertente estética, devido a sua vizinhança com o profundo - fonte de expressividade e, portanto, de beleza - o funcionalismo foi banalmente entendido como reprodução servil de esquemas concebidos com um sentido praticista, na esperança ilusória de que a mera exclusão dos conteúdos objetivos - temas, argumentos, etc. - e o serviço a uma meta arbitrariamente imposta pelo arquiteto garantiram uma qualidade artística sobressalente.Hoje em dia se impõe novamente a necessidade de dotar a arquitetura de um certo lirismo. Mas o que se entende aqui por lírico? É algo epifenomênico, justaposto, violentamente acrescentado por vontade sentimental, fantástica ou burguesa? Ou é, antes, a vertente estética de um processo rigorosamente genético de formas reais, robustas, carregadas de um sentido poderoso no mundo das realidades que constituem o tecido da vida humana?É decisivo para o homem de hoje compreender que a poesia - fenômeno universal - brota em seu ser pela tendência básica a se mover em níveis de fundura. Não se chega aos planos em que germina a autêntica poesia através da abstração, do abandono das realidades consideradas acessórias, mas através de intuição, de penetração através do expressivo no âmbito do essencial que se expressa nele vitalmente. Esta atividade intuitiva põe em vibração e compromete o ser inteiro do homem.
d) Economia de meios expressivos
Costuma se sublinhar hoje em dia o valor estético da pobreza e, em geral, da economia de meios. Na minha opinião, nos dará muita luz em vários aspectos esclarecer as profundas razões da correlação existente entre o efeito estético e a escassez de meios expressivos empregados.De per si, a pobreza não tem um poder expressivo superior ao da riqueza. Quando um artista consegue um máximo de expressividade com um mínimo de recursos expressivos, manifesta uma grande potência de transfiguração do sensível, que é privilégio dos seres criadores. À medida que ganham em experiência, os espíritos verdadeiramente criadores adquirem um poder especial para saturar os meios sensíveis de poder expressivo. Os meios expressivos se reduzem assim a uma lâmina quase imperceptível, asceticamente voltada para o serviço da encarnação expressiva. Para conseguir esta transfiguração dos materiais sensíveis se requer uma poderosa intuição que entre em contato muito direto com as realidades profundas que se auto-expressam em tais materiais. Pensemos nas últimas composições de Bach para órgão ou nos últimos quartetos de Beethoven.
"A pobreza é verdadeiramente transparente, rasga a opacidade de tanta presunção acumulada progressivamente, liberta as formas da espessura asfixiante e parasita da matéria morta, e sobre a forma nua faz descer o fulgor do mistério que brilha tanto mais quanto sua presença se aproxima de nós mais desembaraçada, mais indefesa" (cf. F. Pérez Gutiérrez, op. cit., p. 181).2.
"A pobreza é verdadeiramente transparente, rasga a opacidade de tanta presunção acumulada progressivamente, liberta as formas da espessura asfixiante e parasita da matéria morta, e sobre a forma nua faz descer o fulgor do mistério que brilha tanto mais quanto sua presença se aproxima de nós mais desembaraçada, mais indefesa" (cf. F. Pérez Gutiérrez, op. cit., p. 181).2.
A PRIMAZIA DO PROFUNDO
Se o artista vive no nível das realidades valiosas, dialoga com elas e possui capacidade suficiente para encarná-las em meios sensíveis, goza por isso mesmo de liberdade para ser sóbrio - que é um alto poder quando está aliado com um elevado grau de expressividade - reduzindo o aparato técnico expressivo a um mero ponto de apoio eficacíssimo do processo criador.
Se o artista vive no nível das realidades valiosas, dialoga com elas e possui capacidade suficiente para encarná-las em meios sensíveis, goza por isso mesmo de liberdade para ser sóbrio - que é um alto poder quando está aliado com um elevado grau de expressividade - reduzindo o aparato técnico expressivo a um mero ponto de apoio eficacíssimo do processo criador.
O arquiteto austríaco N. Heltschl diz que "com a pobreza ocorre o mesmo que com o nada, que causa náusea ao existencialista e embriaguez divina ao místico". Deparamo-nos com o grave problema de superar a vertente meramente objetivista do real para ter acesso aos estratos mais profundos do mesmo. Um esboço é humilde, mas, se responde a uma poderosa intuição, a pobreza dos meios expressivos é transcendida pelo poder transfigurador pretendido neles. Quando ocorre este dinamismo ascensional expressivo, a pobreza não degenera nunca em sordidez amorfa.Segue-se que não se deve fazer ostentação expressa nem de riqueza nem de pobreza, mas mostrar espontaneamente aquilo em cuja proximidade espiritual se vive. Conseguindo-se esta presencialidade com o profundo-valioso, os meios expressivos se retiram numa atitude discreta de serviço. Tal discrição é fonte de elegância. Eis aqui a sobriedade peculiar do estilo, tão distinta, por ser profunda, da simples pobreza banal do mero esquema. Pensemos, por exemplo, no sucesso do coral alemão, com sua sóbria robustez de linhas, seu dramático dinamismo e profunda expressividade.
-------------------Continua...
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